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Celebrando o Poder Materno: uma jornada por sociedades matriarcais no Dia das Mães

mãe indiana em fundo neutro. Conheça sociedades matriarcais!

Neste domingo, o Brasil celebra o Dia das Mães. São elas que lideram 48,7% das famílias no país, segundo pesquisa realizada em 2022 pelo Grupo Globo. Há ainda aquelas que não contam com o apoio masculino na criação dos filhos: o Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas, apurou que mais de 11 milhões de mães criam seus filhos sozinhas. Apesar disso, sabemos que os homens ainda concentram a maior parte do poder para tomada de decisões, inclusive sobre a vida das mulheres. Mas você já parou para pensar em como seria a vida numa sociedade onde o patriarcado não é a lógica dominante? Conheça sociedades matriarcais!

Nesse Dia das Mães, o Hurb revela destinos conhecidos pela sociedade matriarcal, ou seja, onde o poder da mulher vai além da esfera privada, celebrando não apenas as contribuições individuais das mães em nossas vidas. São culturas nas quais o papel de mãe não é apenas reverenciado, mas também domina os aspectos sociais e políticos de suas comunidades. 

 

Índia

Em uma região montanhosa do nordeste indiano, o grupo étnico Khasi se tornou conhecido pela prática de perpetuar seu legado material e imaterial através das mulheres. Seguindo as tradições desse grupo, que habita o estado de Meghalaya, as mulheres têm um papel crucial na transmissão dos conhecimentos e cultura do seu povo. Com a morte dos anciões do grupo, os bens físicos são herdados pela filha mais nova. Essa forma de organização não só garante a continuidade do matriarcado, mas também celebra a maternidade como um pilar central da identidade e poder comunitário.

 

China

Próximo à fronteira do Tibete, nas províncias de Iunã e Sujuão, está o “Reino das Mulheres” – nome pelo qual ficou conhecido o povo Musuo. Nessa comunidade, pratica-se o walking Marriage, que podemos entender como um casamento andarilho: as mulheres podem escolher e trocar de parceiro como desejarem, sem serem vistas de forma negativa por isso. Assim, a estrutura social favorece e incentiva a autonomia sexual e reprodutiva, além da liberdade do desejo. Com os laços maternos formando a base da estrutura familiar, as crianças são criadas coletivamente por mulheres, com os tios maternos desempenhando um papel de apoio. Aberta ao turismo, a comunidade recebe centenas de turistas e antropólogos, interessados em conhecer essa realidade alternativa.

Uma curiosidade: o grupo, assim como os Khasi, também habita uma região montanhosa do país, no entorno da cordilheira dos Himalaias. 

 

 

Estônia

Nas remotas ilhas de Kihnu, as mulheres não apenas gerenciam as atividades cotidianas da comunidade, mas também são as guardiãs das tradições culturais. Com cerca de 700 habitantes apenas, a comunidade depende da pesca para sua economia e são os homens que passam meses no mar a fim de garantir o sustento, tornando as mulheres responsáveis por tudo o que acontece na ilha. Com costumes e hábitos centenários, o grupo matriarcal foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. No entanto, sua manutenção tem sido ameaçada pelo declínio populacional. Dominada por mulheres de meia-idade, a ilha enfrenta o desafio de renovar sua população para manter viva sua história, mas continua a ser um exemplo realde como o matriarcado pode influenciar todos os aspectos da vida comunitária.

Indonésia

Com mais de 8 milhões de membros, os Minangkabau representam a maior sociedade matrilinear contínua. O grupo étnico se concentra no planalto da Sumatra Ocidental, sua região nativa, onde estão 4 milhões deles. Os demais se dividem tanto em outros territórios indonésios, como pela Malásia. Apesar de terem adotado o Islã no século XVI, essas comunidades mantiveram a matrilinearidade como a espinha dorsal de sua organização social, com as mulheres controlando a terra e desempenhando um papel decisivo nos assuntos comunitários. Assim como acontece entre os Khasi, são elas que herdam as propriedades terrenas dos pais. Contudo, as finanças acumuladas são direcionadas de forma que os filhos recebam o dobro que as filhas, seguindo a complexa norma islâmica. 

 

 

Essas sociedades oferecem uma perspectiva única e inspiradora sobre as estruturas de poder e gênero e nos lembram que a maternidade não é apenas um aspecto da identidade feminina, mas um poderoso pilar de liderança e resiliência. Por isso, são também uma fonte de inspiração para repensarmos nossos próprios sistemas sociais e buscar uma maior igualdade e respeito mútuo em um mundo que ainda tem muito a aprender.

 

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